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A Assembleia de Deus daqui a 50 anos



Até Nabucodonosor se preocupava com o que seria o seu reino depois dele (Dn 2. 9). Só que ele soberbamente se preocupava com sua própria grandeza e a de seus herdeiros no reino.

Quanto a nós, que constituímos a Assembléia de Deus no Brasil, de modo especial os que têm o encargo da liderança, é justo que nos preocupemos com o futuro desta Igreja a quem Deus confiou grandes responsabilidades. nestes tempos que precedem a vinda do Senhor Jesus.
Há anos passados, a revista OBREIRO publicou um artigo nosso, em que expusemos três fases importantes da Assembléia de Deus no Brasil: fundação, expansão e consolidação, com vistas a alertar a liderança da Igreja na atual geração para a enorme responsabilidade que lhe toca quanto à manutenção do padrão bíblico da igreja, seu nível espiritual e sua condição para satisfazer os santos propósitos de Deus quanto à salvação do mundo e sua conseqüente grandeza e estabilidade espiritual.
Nas linhas que compõem este trabalho, formulamos uma PERGUNTA ( ? ), cuja resposta só virá cabalmente daqui a meio século. Nesse tempo não estarei mais aqui para testemunhar os fatos que hoje são objeto de nossa preocupação. Muitos outros, seja qual for sua condição espiritual, já estarão também na eternidade. Se Jesus não vier antes disso, muitos jovens que leram este artigo certamente se recordarão das nossas predições e, esperamos, permita o Senhor da Glória as vejam cumpridas em seus aspectos positivos. Amém!
À luz das Sagradas Escrituras, a Igreja de Jesus Cristo por Ele edificada (Mt 16.18), não deveria ter uma história tão acidentada, incluindo freqüentes e longos períodos de retrocessos e derrotas a que os séculos têm testemunhado. Isto tem todas as vezes que os homens têm falhado no cumprimento da missão divina.
Jesus entregou a direção da Sua Igreja a homens a quem chamou e vocacionou com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo… (Ef 4.11-14). Há, certamente, nos anais do Tribunal de Cristo, fartos registros de muitos, que em diferentes épocas, em suas respectivas gerações, cumpriram fielmente a divina missão e contribuíram satisfatoriamente para que a Igreja atingisse as metas estabelecidas por Cristo. Também deve haver a “nota” dos que, nos seus dias, pelos motivos que “bem lhes pareceram” inconscientes ou teimosamente, egoísta ou displicentemente levaram a Igreja do Senhor ao nível de mera organização religiosa, inoperante e sem vida (Ap 3.1).
O espaço não nos permite enumerar os fatores que têm prejudicado a igreja, mas dentre os muitos, a desunião entre os ministros figura entre os que mais têm contribuído para grandes males. Maldito os encontros, malditos os discursos, malditas as decisões que têm contribuído para lançar discórdia no seio da Igreja de Deus e semear intriga entre irmãos em Cristo. O poder do Espírito só se manifesta onde há unidade de Espírito.
As desavenças entre os que pregam a paz tanto causam escândalo e perturbação como entristecem o Espírito Santo e, conseqüentemente, impedem o avivamento.
Não é sem propósito que Deus tem infundido em tão grande número de cristãos a crença no batismo com o Espírito Santo e o revestimento de poder, nestes dias em que a densidade demográfica tem alcançado proporções alarmantes. Temos hoje um maior número de crentes de todos os tempos e o maior número de descrentes, desde que o mundo existe. Temos também os maravilhosos recursos da tecnologia moderna e dos meios de comunicação.­
É a vontade de Deus que haja nestes últimos dias muitos milhões de crentes salvos, cheios do Espírito Santo e de poder, pois há bilhões de perdidos por evangelizar. Por que falamos de crentes cheios do Espírito Santo e de poder ? Porque crentes fracos e sem vida não evangelizam.

A história registra o declínio espiritual de numerosos movimentos espirituais aos 50 anos de existência. Conheço a Assembléia de Deus há 47 anos. Hoje está bem maior do que quando aceitei a fé, mas, em proporção, deveria estar ainda muito maior. Se todos vivessem e trabalhassem no poder do Espírito, a colheita seria muito mais abundante.
Passemos à grande pergunta. O que será a Assembléia de Deus daqui a 50 anos? Percebo que é bem alto o índice de pessoas que necessitam de maior e mais profunda experiência com Deus. Que tenham realmente a experiência da salvação e do novo nascimento. Receio que esteja muito estreito o vínculo divisório entre a Igreja e mundo, e parece-me que forças estranhas estão empenhadas por obliterá-lo. Para isto estão contribuindo os que substituem a simplicidade e a modéstia cristã pelas modas e costumes mundanos. Os que desprezam a meditação na Palavra de Deus e a oração pelos programas formalistas e os que se ocupam só de ensaios. Os que fogem da Escola Dominical e da evangelização, por comodismo ou displicência. Os que passam o domingo na praia e os que já deixam os cultos pelas novelas. Os que têm a responsabilidade do ministério, mas não cumprem a prescrição divina: “Prega a palavra, insta, a tempo e fora de tempo, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade a doutrina” (2 Tm 4.2).
Já vemos muitos púlpitos sem mensagens e muitas pregações sem conteúdo bíblico e espiritual. Aí estão os que exercem o ministério como meio de ganhar a vida e não as almas. Por este caminho seguiram muitas igrejas que hoje possuem pequenos templos, grandes demais para os que se congregam. Por esta senda trilharam igrejas das quais só resta a organização, que estão fechando seus templos ou vendendo-os a ateus e inimigos do evangelho. Estas coisas estão acontecendo em nossos dias e alguns casos são do nosso conhecimento pessoal. Tudo isto pode acontecer quando o orgulho denominacional e a vaidade do pregador e dos crentes tomam o lugar da santidade e do poder do Espírito Santo no seio da Igreja. Estas coisas constituem grandes male, refletindo, além disso, o mal maior – a pobreza espiritual dos crentes. Se a Assembléia de Deus não vigiar e não fechar as portas para os males ai denunciados, se seguir o exemplo dos que trocaram a Bíblia pela “etiqueta social”, se apegar-se aos métodos humanos em detrimento da oração e da pregação da Palavra de Deus no poder do Espírito Santo, daqui a 50 anos poderá ser apenas uma grande denominação composta de muitos doutores e mestres modernistas sem vida, aplaudidos por aqueles que “não suportam a sã doutrina”, que sofrem “coceira nos ouvidos” (1 Tm 4.3,4); poderá ser apenas uma grande denominação, no entanto, menos numerosa do que hoje! Igreja sem doutrina e sem o poder de Deus, da qual, na melhor das hipóteses, os crentes se tornam semelhantes aos sete mil contemporâneos de Elias –existem, mas só Deus sabe onde eles estão!
Há os que presunçosa ou teimosamente estão ensinando que, ou a Assembléia de Deus muda a sua norma doutrinária e disciplinar (abre as portas para o mundo), ou então se esvaziará. Isso não é verdade. É antibíblico. É demoníaco. É a voz tentadora do inimigo de Deus e da Igreja. Ao contrário, se a Igreja abrir as portas para o mundo, estará fechando-as para o Espírito Santo, e, assim de fato, inevitavelmente, esvaziar-se-á, conforme os tristes exemplos acima aludidos, que estão às vistas de quantos tenham olhos para ver.
Se ao contrário, a Igreja perseverar na doutrina dos apóstolos (At 2,42), no poder do Espírito Santo (At 1.8; Ef 5.18) ) e na santidade da Palavra de Deus (Ef 5.26,27), os levianos, inconscientes e mundanos poderão sair, mas a Igreja continuará “edificando-se e caminhando no temor do Senhor, no conforto do Espírito Santo e crescendo em número (At 9.31). A prova disto são os muitos milhares de jovens crentes da Assembléia de Deus que vivem na plenitude do Espírito Santo, e são, na Igreja exemplo de santidade, sincera devoção e eficiente atividade”.
Devemos admitir, com tristeza, que tem diminuído o percentual dos que oram, dos que evangelizam, dos que se convertem, dos que são batizados com o Espírito Santo, e da operação de curas e dos milagres. Essas atividades e operações são o melhor aspecto de um avivamento espiritual autêntico.
Não convém dissimular. É mister que aceitemos a realidade e armemo-nos com a armadura de Deus (Ef 6. 10-18), para enfrentarmos esta situação, reconduzindo a Igreja ao padrão bíblico e divino, antes que tenhamos a lamentar, semelhante ao povo de Deus no passado: “Já não vemos nossos sinais, já não há profeta” (Sl 74.9).

Por outro lado, a Igreja Assembléia de Deus no Brasil tem tudo para se tornar uma potência espiritual capaz de cumprir a divina missão de levar o mundo a Cristo. A Igreja já se compõe ele vários milhões de membros, na maioria jovens. Possui em suas fileiras muitas pessoas com diferentes cursos universitários e já se projeta no cenário político nacional. Com todo este potencial colocado nas mãos de Deus, corrigindo as falhas já registradas, promovendo o reajustamento da verdadeira fraternidade entre pastores e membros em geral, reintegrando-se totalmente nos padrões genuinamente pentecostais, dando ênfase ao batismo com o Espírito Santo e ao real revestimento de poder, pela santidade e pureza dos costumes, pela obediência à Palavra de Deus e pela consagração, proporcionando ao Espírito Santo de Deus o ambiente adequado para a manifestação dos dons. Se todos pregarem a mensagem salvadora, ungida pelo Espírito Santo e ilustrada pelos bons exemplos, daqui a 50 anos, a Assembléia de Deus terá atingido todas as classes sociais, influenciando-as positivamente com o conhecimento da verdade do evangelho, inclusive as autoridades e o governo em todos os seus escalões.
Isto, no entanto, nunca será alcançado por uma denominação simplesmente numerosa, mas por uma Igreja que trabalha e vive na santidade da Palavra de Deus e no poder do Espírito Santo.

O progresso e o triunfo total da Igreja dependem e dependerão sempre de um avivamento permanente e poderoso. E, em relação a esse avivamento, há três grupos distintos no seio da Igreja.
Primeiro grupo – os que estão contribuindo para que o avivamento continue. São os que realmente nasceram de novo, que servem e obedecem a Deus por amor, que se alimentam diária e regularmente da leitura e meditação na Palavra de Deus e da oração, que respeitam a sã doutrina como regra infalível de fé e prática, que se conservam dentro dos padrões bíblicos quanto à sobriedade e à modéstia cristã, que praticam e promovem a fraternidade por respeito à paternidade divina, que contribuem para o progresso da obra de Deus com o seu trabalho e com o seu dinheiro, que praticam o cristianismo no templo, em casa e no trabalho, os que pregam o que vivem o que pregam; enfim, os que vivem em Cristo, por Cristo e para Cristo!
Segundo grupo – os que não estão contribuindo para que o avivamento aconteça. Este grupo se compõe dos que professam a fé no evangelho, não causam escândalo na Igreja nem na sociedade, que vão aos cultos nos dias de festa e domingo de bom tempo, mas não compartilham das orações e da evangelização e não participam das responsabilidades financeiras da Igreja; enfim, os que desempenham o papel de meros espectadores decentes!
Terceiro grupo – o dos que contribuem para que o avivamento não aconteça ou desapareça. Este é composto dos que se dizem crentes, mas são crentes do seu próprio modo. Não honram a sã doutrina e os bons costumes mas querem ser honrados; não respeitam o ministério da Igreja, mas querem os privilégios da liderança e posições destacadas; que dão mal testemunho na vizinhança e no comércio onde exalam o mal cheiro dos seus negócios feios; são insatisfeitos e murmuradores, maledicentes e intrigantes; são os que causam divisões e promovem discórdias e desordem no seio da Igreja de Deus, não evangelizam, não oram e não cooperam financeiramente; enfim, os que contribuem para desacreditar o Evangelho e entristecer o Espírito Santo (Ef 4.30).

Por outro lado, são igualmente prejudiciais à marcha do avivamento, os que confundem o poder de Deus com barulho, vida espiritual abundante com fanatismo, os que buscam ser aplaudidos ostentando uma espiritual idade irreal, bem como os que vivem de empolgações infrutíferas, que levam ao descrédito a operação do Espírito Santo.
O leitor já sabe a qual destes grupos deve pertencer? Qual o seu grupo?

Você está colaborando para. que a sua igreja seja um organismo vivo, poderoso, para que ela cumpra cabalmente sua missão no plano de Deus para o mundo e seja apresentada a Cristo Igreja gloriosa, sem mácula e sem ruga? O futuro da Igreja depende muito da sua condição espiritual e do que você fizer por ela hoje!
Pr. Estêvam Ângelo de Souza

INÍCIO DA OBRA

 




        O nosso pioneiro ao chegar em São Luis, escolheu o centro da cidade e começou o trabalho evangelístico com uma intensa distribuição de folhetos de casa em casa, onde também vendia livros e bíblias, mostrando o plano da salvação em Cristo Jesus.

O início da Obra
Final do ano de 1921, este foi o tempo permitido por Deus para que chegasse ao Maranhão a mensagem pentecostal. O evangelho já havia sido anunciado pelas Igrejas Presbiteriana e Batista, que já estavam plantadas em terras gonçalvinas. Porém, de acordo com dados de algumas fontes históricas, os primeiros contatos protestantes de que temos notícias na Ilha de São Luís devem ter ocorrido no período da própria fundação da cidade, pois Daniel de La Touche, um dos principais líderes da esquadra francesa que chegara a esta ilha em 1912, era protestante de fé reformada calvinista. Provavelmente teria sido nesta época que o Maranhão tenha ouvido pela primeira vez o evangelho de Cristo, através de um protestante. Porém, não temos informações concretas se Daniel de La Touche implantou algum trabalho evangélico ou fez alguma tentativa de estabelecer a doutrina protestante na Ilha de São Luís. Fato concreto, porém, é a chegada do missionário George Butler, da Igreja Presbiteriana, este plantou na capital maranhense a primeira igreja da sua denominação. Estavam, portanto, lançadas  oficialmente”, as bases da pregação evangélica em São Luís do Maranhão. A Teologia reformada aqui ensinada prosperou e a Igreja Presbiteriana continua até hoje o seu trabalho de evangelização nesta cidade.
Em seguida, foi a vez dos batistas, ardorosos defensores da doutrina cristã. A primeira Igreja Batista foi organizada em São Luís no dia 23 de maio de 1908 pelo missionário fundador Eurico Nelson. Deus seja louvado pela bravura, dedicação e pioneirismo de nossos irmãos presbiterianos e batistas, cujos trabalhos muito têm contribuído e produzido para o Reino de Deus nesta cidade, bem como em todo o Estado do Maranhão. Porém, naquele memorável final de ano (1921) a velha “Atenas Brasileira” ouviu pela primeira vez a pregação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo acompanhada da informação de que Jesus não somente salva, mas também cura e batiza com o Espírito Santo. O mensageiro escolhido por Deus para tão nobre missão teve a indicação e a aprovação da igreja Assembléia de Deus em Belém – a igreja mãe. Clímaco Bueno Aza, um cidadão colombiano que recebeu a Jesus como Senhor e Salvador em Belém-PA no ano de 1913. Tendo logo sentido a vocação divina para anunciar o Evangelho abandonou seus trabalhos seculares e dedicou-se exclusivamente à pregação contínua do Evangelho. Nos primeiros anos auxiliou o missionário Daniel Berg na plantação de diversas igrejas na região da estrada de ferro Belém/Bragança, igrejas que florescem até hoje. Clímaco Bueno Aza foi ordenado ao Santo Ministério em 10/03/1918. Foi indicado para iniciar a Assembléia de Deus no estado do Maranhão, o irmão Clímaco, aceitou o desafio e viajou para a capital do estado.
O nosso pioneiro ao chegar em São Luis, escolheu o centro da cidade e começou o trabalho evangelístico com uma intensa distribuição de folhetos de casa em casa, onde também vendia livros e bíblias, mostrando o plano da salvação em Cristo Jesus. E para a alegria dos Céus, da igreja em Belém e do nosso irmão Bueno Aza, grande parte da semente caiu em boa terra e começou a nascer com brevidade. Pouco a pouco o pioneiro começava ver o Senhor da Igreja abrir portas para a divulgação da Palavra, sendo então possível no dia 15 de janeiro de 1922 oficializar a fundação da novel igreja na residência de Propécio Lázaro Lobato e Ana Almeida Lobato, situada na Rua 7 de setembro, na casa de nº 149. Neste dia houve o primeiro batismo em águas de alguns conversos e foi realizada a Ceia do Senhor. Assim foi organizada a 1ª Assembléia de Deus no estado Maranhão. São Luís tinha apenas 54.077 habitantes. O estado inteiro possuía 893.332 habitantes, cujo governador era Godofredo Mendes Viana.
As primeiras conversões
Os primeiros conversos do Maranhão à fé pentecostal foram Propécio Lázaro Lobato e sua esposa Ana Almeida Lobato1. “O irmão Propécio tornou-se o primeiro diácono a ser consagrado pela Assembléia de Deus no Maranhão e faleceu a 17 de julho de 1954, com 72 anos”2. Entre os primeiros conversos, incluem-se o irmão Paulino Flávio Rodrigues e sua esposa, irmã Isabel Florestal Rodrigues e Maria Oliveira.
No mês de dezembro de 2001 tivemos a oportunidade de realizar uma entrevista com dois filhos do primeiro casal convertido, Rubens de Almeida Lobato e Eulinda Lobato Rabelo. Ele, 77 anos, viúvo, membro da Assembléia de Deus. Ela, 76 anos, membro da Primeira Igreja Batista de São Luís. Ambos residentes em São Luís.
Na citada entrevista obtivemos, portanto, as seguintes informações, que vieram confirmar alguns dados, completar outros e aprofundar e acrescentar em alguns aspectos o conhecimento então existente sobre as origens da Assembléia de Deus em São Luís.

Ao chegar em São Luís, o pioneiro Clímaco Bueno Aza, inicia a distribuição de folhetos gratuitos trazendo a mensagem do Evangelho  e, paralelamente desenvolve o seu trabalho de colportor com a venda de Bíblias e livros evangélicos. No primeiro contato com a família de Lobato, Bueno Aza, ao oferecer o folheto evangelístico na própria casa de Propécio Lázaro Lobato, ouviu da esposa deste a seguinte expressão, com ar de surpresa: “...Ah! Sim, sobre este folheto que você me oferece, certamente já ouvi falar, pois você é da religião do diabo, não é?” Ao que responde o homem de Deus: “Senhora, eu não sou da religião do diabo, sou pregador do Evangelho e distribuo a Bíblia Sagrada, que é a Palavra de Deus. Sou um crente em Jesus”. Depois deste esclarecimento e identificação, a Sra. Ana Almeida Lobato muda imediatamente o tom do diálogo e informa ao pr. Bueno Aza que seu esposo tinha interesse por esse assunto de “Evangelho”, e, portanto, o pastor deveria esperar pela chegada do Sr. Propécio. Era quase a hora do almoço. Como militar que era, cabo da Polícia, Propécio estava de serviço no quartel, que àquela época situava-se próximo à sua residência. Aquele era o primeiro sinal para o pastor Clímaco Bueno Aza, de que seu trabalho prosperaria. Confiante, ficou aguardando o dono da casa. Este, ao chegar, deu-lhe as boas vindas e assentou-se com a presença do ilustre visitante, convidando-o para almoçarem juntos. E ali, então, nosso pioneiro sentiu-se à vontade para entregar a mensagem de Deus, em cujo conteúdo constava, principalmente, o plano da salvação em Cristo, transmitido de uma forma simples e bastante objetiva. E, como um bom discípulo de Gunnar Vingren e Daniel Berg, o evangelista Clímaco não deve ter esquecido de resumir-lhe o âmago da fé pentecostal: Jesus Cristo salva, cura e também batiza com o Espírito Santo.
Durante o diálogo, Bueno Aza foi informado que Propécio já teria ouvido um pouco do evangelho há algum tempo, pois, passando um dia nas proximidades do Hospital Português, deparou-se com algumas jovens da Igreja Presbiteriana de São Luís, que realizavam um culto ao ar-livre e ali pregavam, cantavam e oravam, o que chamou bastante a sua atenção. E, agora, através do contato com o nosso pioneiro Bueno Aza, o seu entendimento se abria para compreender a Palavra de Deus e a sua condição de pecador, necessitado da salvação em Cristo Jesus. Não tardou, pois, em fazer a sua decisão a Jesus Cristo como Salvador e Senhor de sua vida juntamente com a sua esposa, que também compreendeu a mensagem e a aceitou, decidindo-se a Cristo. Ali estava se abrindo uma porta que jamais seria fechada. Era mais uma agência do Reino de Deus que estava que estava sendo implantada, onde centenas e milhares de ludovicenses aceitariam à fé cristã, onde teriam suas vidas transformadas pelo poder do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
O pr. Clímaco sentiu a necessidade de continuar a sua missão, e, agora mais entusiasmado, pois já via os primeiros frutos como resultado de sua semeadura evangelística. À medida que os dias iam passando, o pioneiro pentecostal continuava a pregar o santo evangelho e distribuir Bíblias, entre outras literaturas evangélicas. Passou um período hospedado na própria residência de Propécio Lobato, que, familiarmente, era conhecido também como Juca Lobato.

Depois de um curto período, o missionário Clímaco Bueno Aza oficializou a fundação e organização da primeira Igreja Evangélica Assembléia de Deus em terras maranhenses, sendo oficializada a igreja com o batismo em águas dos primeiros decididos à fé pentecostal e a realização da Santa Ceia do Senhor, em 15 de fevereiro de 1922. A novel igreja ficou funcionando na própria residência do irmão “Juca”. Estava, assim, lançado o marco inicial da obra pentecostal do Maranhão. O pr. Clímaco Bueno Aza passou poucos meses dirigindo a igreja, e, ainda em 1922, passou-a à liderança do pr. Manoel da Penha.
Além do salão alugado na rua Dr. Herculano Parga, nº 474, a igreja esteve funcionando em alguns salões alugados. Houve um período de muitas dificuldades, principalmente a falta de recursos para o funcionamento regular da igreja, pois a igreja ficou dependendo financeiramente do seu primeiro membro, o irmão Propécio Lázaro Lobato, de tal modo que, onde quer o irmão Propécio estivesse residindo, ali também funcionava os cultos e as demais atividades internas da igreja. Pois o aluguel foi pago por um considerável tempo pelo irmão Propécio Lobato. Os primeiros bancos, que serviram de assentos aos participantes da novel igreja, foram tomados emprestados do Quartel de Polícia, devido ao bom relacionamento e a influência de nosso irmão Propécio, que exercia a função de cabo da Polícia Militar do Estado do Maranhão, e Paulino Flávio, que era, então, sargento daquela corporação militar. Conta o irmão Rubens Lobato que os primeiros bancos de propriedade da igreja foram confeccionados e doados por seu pai, o primeiro membro da igreja. Lembra ainda que, a iluminação dependia de um “lampião” a querosene ou, às vezes, à base de carboreto.

As dificuldades eram muitas, no entanto, do pouco que possuíam, os membros da igreja pioneira desta capital, distribuíam consideravelmente ajuda aos mais necessitados, fazendo visitas nos leprosários, residências, ruas, praças, etc. Às vezes, os irmãos tinham que ajuntar suas próprias contribuições para pagarem as passagens dos novos decididos, dos quais, muitos utilizavam o bonde como meio de transporte a fim de poderem congregar-se regularmente.


A igreja prossegue
Algum tempo depois, na Rua do Passeio, na casa de nº 360 (hoje localizada em frente ao Templo Central), o trabalho continuava em uma modesta residência, que aos fundos, possuía um grande salão. Ali, durante vários anos, os pioneiros realizaram cultos de pregação, reuniões de oração e de estudos da Palavra de Deus. Era aquele o único local em que os cultos da Assembléia de Deus eram realizados por vários anos nesta cidade. Há testemunhos e registros de que, por Sua graça, Deus manifestava ali salvação de almas, curas divinas e batismos com o Espírito Santo.
Até que, no pastorado de Deocleciano Cabralzinho de Assis, a Igreja construiu o seu primeiro Templo, que para tanto, recebeu uma ajuda financeira da Assembléia de Deus em Belém-PA, a igreja mãe, que não somente enviou o primeiro missionário e os primeiros pastores, mas também os manteve e supervisionou a administração da igreja, tanto na capital como no interior do Estado por um período que se estendeu da fundação da igreja, em 1922, e por mais vinte e cinco anos, aproximadamente.
Sob a Palavra ungida, pregada e vivida pelos primeiros crentes, a igreja iniciada como uma pequena semente, que após ser germinada, nasceu, cresceu e transformou-se numa grande árvore, produzindo muitos frutos. Emergindo de sérias dificuldades e de penosas humilhações, a Assembléia de Deus nascida em São Luís prosseguiu valorosamente em sua marcha pela conquista de milhares de almas para o reino de Cristo. Confirmando a palavra de Sua graça, o Senhor Jesus fez prosperar maravilhosamente a obra iniciada pelo pastor Clímaco e continuada por dezenas e centenas de outros obreiros, aos quais Deus encheu do Seu Espírito Santo, credenciando-os, deste modo, para a execução da gloriosa obra de pregar o evangelho em terras maranhenses.
“A benção do Senhor é que enriquece” (Pv 10.22). Foi isto que  aconteceu. A obra prosperou. A chama pentecostal alastrou-se através  de dezenas e centenas de municípios. Novos obreiros foram somados ao quadro de pioneiros. Numerosas portas foram abertas ao Evangelho de poder no interior do Estado. A despeito das oposições de procedências diversas, ninguém foi capaz de deter o avanço da nova igreja através da Baixada, do sertão maranhense e em todas as direções, pois a marcha era comandada pelo Senhor, que disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura...” (Mc 16.15). Muitos dos pioneiros já foram recolhidos ao lugar de descanso, mas outros, igualmente valorosos, têm sido levantados por Deus. A obra não tem sofrido revés. O Senhor continua salvando, batizando com o Espírito Santo e operando maravilhosamente em cumprimento à Sua Palavra. Para isto, Deus tem se utilizado de homens simples, humildes e abnegados. Nestas palavras não nos referimos exclusivamente aos pastores, mas também a milhares de servos de Deus, homens e mulheres que, renunciando por inteiro as paixões mundanas, se entregaram a Cristo para servi-lo com amor, trabalhando incansavelmente em jejuns e orações, através de muitas vigílias e trabalhos ininterruptos de evangelização, sob a unção do Espírito Santo, com a certeza de que toda obra para Deus, realizada com amor, terá a sua fiel recompensa.

Estevam Ângelo de Souza, 1957-199
Nasceu na cidade de Araioses, Estado do Maranhão, no dia 2 de agosto de 1922. Filho de José Romão de Souza e de Maria Alves de  Souza, teve uma infância e adolescência simples, sob os cuidados paternos.
Aos vinte e um anos de idade teve seu encontro com Cristo, aceitando-o como Senhor e Salvador pessoal. Era o dia 09 de abril  de 1944 e o primeiro culto evangélico a que assistia, precisamente na cidade de Magalhães de Almeida. Recebeu o batismo com o Espírito Santo no dia 06 de julho do mesmo ano e em outubro, no dia primeiro, foi batizado em águas.

Daí por diante abraçou a causa do Evangelho. Durante dois anos trabalhou como evangelista, saindo a pregar a Palavra de Deus pelos sertões do Piauí, ainda jovem e solteiro, mesmo sem vínculo ministerial, uma vez que, naquela época, a obra estava se iniciando. Costumava dizer que nesse tempo morava debaixo de um chapéu, pois não possuía moradia, tendo que repousar diversas vezes no meio da mata e sob o orvalho. Sua vocação pastoral confirmou-se no dia 11 de novembro de 1946, quando foi autorizado a evangelista, e consagrado ao Santo Ministério em 27 de julho de 1947, e por fim, ordenado a pastor em 7 de setembro de 1952. Trabalhou inicialmente em Esperantina por sete anos e alguns meses e Luzilândia, ambas no Estado do Piauí, época em que contraiu seu primeiro matrimônio com a jovem Joaquina Maria Batista de Souza, com quem teve os três primeiros filhos, ficando depois viúvo.

Em 21 de novembro de 1953 contraiu novas núpcias com a jovem Gizeuda Lima de Souza, que lhe deu outros seis filhos. Nesse mesmo ano, mudou-se para São Luís a convite do saudoso pr. Alcebíades Pereira de Vasconcelos, tendo sido empossado a 04 de janeirode 1954. Serviu como co-pastor da Assembléia de Deus na capital maranhense até 16 de dezembro de 1957. A igreja na Ilha contava com apenas três congregações quando então assumiu, em definitivo, o pastorado da Igreja, à qual serviu durante 42 anos, um mês e doze dias. Participou da Conferência Mundial Pentecostal em Londres, Inglaterra, em 1976, e em Jerusalém, em 1995, tendo ainda visitado vários países da Europa e Ásia, além dos Estados Unidos da América. Em todo esse período, dedicou-se inteiramente à Causa com muito amor, trabalho e abnegação, o que somente a eternidade poderá revelar todos os frutos do seu profícuo ministério.
Expansão da Igreja no Estado
Quis o Senhor Deus que a igreja em São Luís exercesse o papel de quartel general, pois, daqui saíram os pregadores que levaram a mensagem do Evangelho a dezenas e centenas de municípios maranhenses. Começando pelos povoados de Ibacá e Itãs, no município de Viana. Como um fogo que ardia sem cessar a doutrina pentecostal alastrou-se em todo o Estado do Maranhão.

CREDITOS
Pr. Rayfran Batista
Lider da AD Santa Inês - MA